domingo, 15 de maio de 2011

Educação e Comunicação

A comunicação é uma das habilidades do ser humano. Ela pode ser oral, escrita, visual e, atualmente, pode-se destacar outro tipo de comunicação, a que é oriunda da informática. Observa-se que, ao longo da história da humanidade, o homem foi criando ferramentas – sejam elas materiais ou intelectuais – que possibilitaram o avanço da capacidade da memória humana e, consequentemente, da comunicação.
Antigamente, as sociedades eram orais, baseadas nas lembranças das pessoas. Lévy (1993, p. 77) coloca que, nessas sociedades, “quase todo o edifício cultural está fundado sobre as lembranças dos indivíduos. A inteligência, nestas sociedades, encontra-se muitas vezes identificada com a memória, sobretudo com a auditiva”. Nesse sentido, a comunicação era limitada pela capacidade da memória humana e ocorria por meio da oralidade.
Com o advento da escrita, o homem passou a contar com a possibilidade de registrar informações e conhecimentos, sem a necessidade de armazená-los em sua memória. “A escrita é uma forma de estender indefinidamente a memória de trabalho biológica” (LÉVY, 1993, p. 91). Dessa forma, surgiram os livros semelhantes aos quais se tem acesso hoje e a imprensa. Além disso, com a escrita, emergiu a linearidade do pensamento humano, o qual constitui a base de todo o edifício de conhecimento produzido pela humanidade.
Analogamente à oralidade e à escrita, a informática, também, representa uma nova extensão de memória. Entretanto, essa extensão apresenta diferenças qualitativas. Uma delas está no aspecto de que a informática permite que o pensamento linear seja desafiado pelos modos de pensar constituidos pela simulação, experimentação e linguagem (resultante da fusão entre escrita, oralidade, imagens e comunicação instantânea).
Nessa perspectiva, pode-se intuir que a informática vem questionar a estrutura do edifício de conhecimento assentada no raciocínio linear para que, em lugar desse tipo de raciocínio, sejam levantadas edificações sustentadas na lógica não-linear e, em consequência disso, que emerjam novas formas de comunicação: interativa, não unilateral, criativa, dinâmica, personalizada.
Com o exposto até aqui, pretendeu-se apresentar brevemente alguns elementos que descrevessem a evolução das possibilidades comunicacionais como associada ao desenvolvimento da oralidade, escrita e informática pela humanidade. Em decorrência dessa análise, pode-se observar que a educação não permanece imune nesse contexto, isto é, se as formas de comunicação evoluem, a educação também passa por transformações.
Em síntese, e analisando as implicações das ideias expostas acima para a docência, percebo que o grande desafio para o professor é integrar as tecnologias digitais de forma produtiva e qualificada em sua prática, de tal modo que essa iniciativa acolha as diversas formas de estilo de aprendizagem, de pensamento e comunicação com as quais os alunos se identificam e se expressam.


Referência

LÉVY, P. As tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da informática. Rio de Janeiro: Editora 34, 1993.



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2 comentários:

  1. Olha RAFAEL,estou encantada !!Quanta coisa boa!!!
    Estou fazendo uma monografia com o tema:As midias como facilitadoras no processo ensino aprendizagem de leitura:um olhar psicopedagógico.Você tem algum material sobre??????
    Caso tenha envi para mim.
    Ivanetenunespj@yahoo.com.br
    Grata,Ivanete

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  2. Oi,Ivanete, tudo bem? Que bom receber a tua visita! Fica a vontade, viu?
    Quanto ao material, vou verificar se encontro algo, aí te passo. Talvez tu encontres algo na revista RENOTE, da UFRGS. Conheces? Segue o link da revista, caso tenha interesse: http://seer.ufrgs.br/RENOTE
    Um abraço!

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